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Segundo a Gartner, empresa de consultoria de TI renomada mundialmente, a abordagem de TI Bimodal será uma das estratégias mais adotadas pelas corporações — mais de 75% — nos próximos anos. Isso demonstra uma forte necessidade de acompanhamento das evoluções tecnológicas e metodológicas e adaptação às novas realidades do mercado, que acontecem de forma dinâmica.

Essas mudanças, geralmente, resultam em uma transformação cultural positiva, proporcionando a otimização de processos e entregas mais rápidas aos clientes. Ainda não sabe como a TI Bimodal pode ajudar a sua empresa? Então vem descobrir!

O que é TI Bimodal?

O termo “TI Bimodal” foi criado pela Gartner em 2014 para nomear um modelo de operações baseado em duas camadas. Juntas, elas permitem a criação de sistemas e processos mais estáveis e previsíveis, bem como mais simples e ágeis ao mesmo tempo. Esse conceito ainda é novo e, apesar de sugerir mudanças rápidas, é sustentado por adaptações graduais.

A TI Bimodal é formada da união de outros conceitos:​

  • ferramentas de desenvolvimento;
  • padronização de ambientes;
  • mensuração de resultados;
  • equipes multidisciplinares;
  • integração entre equipes;
  • turnover da equipe;
  • gestão inteligente;
  • ciclo de vida.

Como funciona a TI Bimodal?

A Gartner define a TI Bimodal como uma forma de executar e gerenciar as operações na área de Tecnologia da Informação seguindo dois modos simultâneos:

  • o primeiro (modo 1): é tradicional e sequencial, enfatizando estabilidade, segurança e precisão para reduzir os riscos e ocorrências de falhas nos sistemas;
  • o segundo (modo 2): foca na rapidez e flexibilidade. É exploratório e não-linear, enfatizando a agilidade e a velocidade, mesmo que por meios não convencionais, para gerar vantagem competitiva ao negócio.

Por que a TI Bimodal é tão importante?

Fortalece o negócio com metodologias complementares

Lean IT, Design Thinking, Kaizen, Project Canvas, Scrum e Kanban são alguns dos métodos e/ou práticas que podem ser integrados e vão interagir bem na TI Bimodal. Elas deixam de ser ferramentas substituíveis e passam a ser complementares, criando um conjunto de instrumentos poderosos para a produção otimizada.

Deixa o negócio mais flexível às mudanças de cenário

Sabe quando surge uma nova tecnologia para o trabalho e você está no meio de um projeto? Se a empresa adota a TI Bimodal torna-se capaz de incorporar essas tecnologias, pois deixa o operacional com flexibilidade suficiente para adequá-la ao trabalho, submetendo as mudanças mesmo com o projeto em andamento.

Estimula o DevOps

As equipes de desenvolvimento e operações, mesmo separadas pelo “modo 1” e “modo 2”, devem ganhar sincronia, melhorar a comunicação, aumentar os níveis de compartilhamento de informações, recursos e ferramentas na nuvem. Essa é a essência da TI Bimodal. Se isso não acontecer, a empresa não terá o que precisa para se tornar otimizada. Como consequência, não evolui.

Hoje em dia, é quase impossível sobreviver sem um trabalho com perfil colaborativo. Seria um entrave para a produção.

Como a TI Bimodal pode ser utilizada de forma estratégica no seu negócio?

O princípio de tudo é estabelecer um procedimento padrão de monitoramento dos produtos e serviços entregues para medir o grau de satisfação dos clientes com frequência. Isso vai dizer se a empresa está no caminho certo, considerando os feedbacks passados por eles. Lançar versões iniciais para testes de aceitação também é importante. A empresa pode ir aperfeiçoando o produto de acordo com as necessidades de quem usa.

Essas práticas vão ajudar a empresa a prever tendências e se antecipar às demandas, o que deve gerar vantagem competitiva em relação à concorrência. Mas para isso acontecer de forma padronizada e harmoniosa, os gestores de TI devem instituir um programa de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) nas empresas e nomear profissionais com os conhecimentos, habilidades e experiências necessárias para executar essa função com maestria.

Além disso, os profissionais de desenvolvimento, testes, implementação, comercial (vendas) e suporte (pós-venda e atendimento ao cliente) devem ser alinhados para compartilharem informações e falarem a mesma língua com o cliente, não perdendo o timing dele e entregando soluções certas e definitivas.

Por exemplo: durante a fase de desenvolvimento, o cliente pode mudar de ideia muitas vezes e não gostar do que ver na fase de testes. Então, mesmo que uma aplicação tenha o seu roadmap todo mapeado, ele tem que ter flexibilidade para ser alterado, atendendo às prioridades do cliente quando for solicitado.

Se isso não acontecer, um novo projeto terá que ser reiniciado a cada ajuste que o cliente solicitar. Já imaginou o esforço e o tempo que levaria para entregar o produto acabado?

Considerando que o cliente vai atrás sempre do fornecedor que promete a entrega mais rápida sem comprometer a qualidade do produto, a flexibilidade para ser ágil torna-se um grande diferencial para o setor.

Quais são os principais desafios para a implementação da TI Bimodal?

Resistência às mudanças

Toda evolução é carregada de desafios, porém, na implementação da TI Bimodal, podemos destacar a alta resistência dos profissionais com relação às mudanças de rotina. O resultado é uma dificuldade ainda maior na desconstrução de uma cultura de procedimentos tradicionais para construir uma nova, com metodologias ágeis.

Porém, as empresas que resistirem e não adotarem o compartilhamento de informações, o desenvolvimento colaborativo e o foco constante nas atualizações tecnológicas para estruturar os projetos, sofrerá com produtos obsoletos. A empresa pode ficar defasada e perder força competitiva, já que não conseguirá atender às necessidades dos clientes adequadamente.

Falta de uma gestão de pessoas

O gestor ganha um papel fundamental no processo. Quando ele tem habilidades de gestão de pessoas, pode exercer sua liderança nesse sentido, e motivar os profissionais a sua volta a adotarem as mudanças de forma voluntária. Também é necessário fazer o funil de sua equipe para garantir que a produtividade continue alta e com qualidade.

Então, dedique-se a conhecer profundamente cada profissional da sua equipe, descubra o potencial produtivo que pode gerar com eles e crie metas alcançáveis, mas com um pouco de esforço adicionado. Ou seja, além de saber utilizar os recursos e ferramentas, bem como entender a metodologia, é necessário gerenciar o talento humano, incluir o cliente nos processos e montar uma estrutura que seja satisfatória para todas as partes envolvidas.

Falta de capacitação dos profissionais

Internamente, o gestor deve promover reuniões periódicas para deixar todos na equipe a par das informações, como mudanças de planos, para nivelar a base de conhecimento entre eles. Não adianta só passar e-mails. Isso pode deixar os profissionais com dúvidas não esclarecidas, impedir a troca de informações e criar uma barreira para o conhecimento e atualização.

Os gestores precisam gerar choques internos, mas a comunicação deve ser bem-feita, assim como o impacto gerado (como a mudança comportamental) precisa ser medido para descobrir profissionais com dificuldades de aprendizagem ou com pouco engajamento no trabalho.

Os primeiros erros podem indicar alguma falha de comunicação ou de aprendizado, e a culpa, nesse caso, nem sempre é do profissional. Ele apenas precisa de mais feedbacks e oportunidades para aprender. Só, quando os erros se tornam recorrentes é que outra abordagem é necessária.

Considerando que os números indicam a TI Bimodal como tendência forte para o setor, ignorá-la pode ser um grande erro.

E você, já pratica a TI Bimodal na sua empresa? Ficou com alguma dúvida? Conta para a gente nos comentários!